Empresário acusado de ser mandante de crime em Turiaçu segue foragido

Empresário Erinaldo Araújo Guimarães
A Justiça do Maranhão confirmou a pronúncia do empresário Erinaldo Araújo Guimarães, conhecido como “Bonitinho”, que será levado a júri popular pelo assassinato do também empresário Jonathan Fernando Cardoso Sousa, o “Nando Net”, executado em 25 de agosto de 2022 em Turiaçu, na Baixada Maranhense.
A decisão, proferida pela juíza Arianna Rodrigues de Carvalho Saraiva, da Vara Única de Turiaçu, também manteve a prisão preventiva do acusado, que permanece foragido desde 2023. O caso, que chocou a população da região, envolve acusações de crime premeditado, motivação torpe e fuga com apoio logístico.
De acordo com a investigação da Polícia Civil e o parecer do Ministério Público, dois homens armados invadiram o posto de combustível da vítima, tentaram colocá-lo à força dentro de um veículo e, diante da resistência, iniciaram uma perseguição.
Nando Net foi alvejado com vários disparos de arma de fogo e morreu ainda no local, sem chance de defesa. Um frentista que testemunhou o crime confirmou que nenhum valor foi levado, afastando qualquer hipótese de assalto e reforçando a tese de execução por encomenda.
As provas reunidas no inquérito apontam para a participação direta de Erinaldo Guimarães na ação criminosa. Testemunhas afirmam que uma Pajero preta de luxo, pertencente ao empresário, foi vista escoltando os autores do crime e perseguindo moradores após a execução.
Além disso, perícias revelaram que Erinaldo pesquisou, poucas horas antes do homicídio, a placa da motocicleta usada pelos criminosos — veículo que havia sido roubado no mesmo dia. A Justiça considerou os elementos suficientes para sustentar a tese de envolvimento, afirmando haver “indícios consistentes da participação ativa do denunciado na execução e apoio logístico aos executores”.
O Ministério Público aponta como motivação do crime uma disputa por contratos de fornecimento de combustível à Prefeitura de Turiaçu. Segundo relatos anexados aos autos, Nando Net estaria interferindo nos lucros de contratos antes dominados por Erinaldo, o que teria despertado um sentimento de revanche.
A acusação classifica a motivação como torpe, associando-a a “interesses financeiros mesquinhos e repulsa à concorrência”.
Na decisão datada de 18 de novembro de 2024, a juíza Arianna Saraiva justificou a manutenção da prisão preventiva com base no artigo 312 do Código de Processo Penal, argumentando que não houve qualquer alteração no quadro fático-processual que recomendasse a soltura do acusado. Ela ainda destacou a periculosidade latente de Erinaldo e os riscos à ordem pública, caso ele permanecesse em liberdade.
O mandado de prisão contra Erinaldo “Bonitinho” segue em aberto, e sua condição de foragido revolta moradores de Turiaçu. Um residente local, que pediu para não ser identificado, desabafou “Não podemos admitir que um crime bárbaro como esse fique impune. Se fosse alguém pobre, já estaria preso há muito tempo!”.
Enquanto o caso aguarda a realização do júri popular, a comunidade cobra a efetivação da prisão e justiça para a família de Nando Net, que desde 2022 espera por respostas definitivas.

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